Zola Ramos: “Eu não sou poeta do sol, nem poeta da Lua, muito menos poeta da noite, eu sou simplesmente o poeta”




Zola Muxinda Ramos, nome artístico Zola Ramos - simplesmente o poeta, natural de Dembo Kibaxi, província do Bengo, filho de Tony Ramos e Feliciana Muxinda, nasceu 09 de maio, formado em gestão pública. Membro do Movimento Lev´Arte há aproximadamente cinco anos, começou a fazer poesia na escola por incentivo do seu professor de língua portuguesa, e por intermedio do  livro poetico de John Belas que fortificou ainda mais o seu interesse pela arte da poesia.

Zola Ramos é popularmente conhecido pelo poema "Há uma faca no pescoço do irmão", e quem o vê a actuar em palco, sente um investimento emocional por sua parte no momento de declamação, algo que traduz a sua entrega e dedicação no mundo da poesia.

Com a perspectiva de expandir a arte que faz, Zola Ramos tem levado a poesia em várias partes do país, e já esteve na terra de Camões (Portugal), onde mostrou o seu trabalho e deixou o público local arrepiado durante a declamação.

Numa entrevista feita pela nossa equipe de repórtagem, o poeta contou o perecurso da sua carreira artistica desde a fase inicial até a data presente.

Bateu Bwé- Por que optou pelo nome artiístico Zola Ramos, simplesmente o poeta?
Zola Ramos - Zola Ramos, simplesmente o poeta, porque eu tinha muitos pseudonimos. Eu estava a pensar em poeta sagrado, poeta do povo, poeta banco Mundial, mas depois, olhei para mim mesmo e senti que a poesia para mim tem uma dimensão muito generalista. Eu não sou poeta do sol, nem poeta da Lua, muito menos poeta da noite, mas eu sou simplesmente o poeta, ou seja, o poeta em sí resume todas as anuências que podem comportar a poesia, por isso é que escolhi este nome para resumir essa verasatilidade que acreditamos ter na poesia.

B.B - Zola Ramos, conta-nos um pouco como é que surgiu este interesse pela poesia?
Z.R - Eu começeia a fazer poesia na escola, e o meu ex-professor de lingua Portuguesa, cujo nome é Ramalho, via essa veia em mim. E também o meu tio tinha na altura uma biblioteca, e lá havia um livro de John Bela que me fez ganhar paixão pela poesia. Depois conheci a declamaçao de Fridolin, e isso também me motivou. Apartir de 2005, começei então, a me despertar no Universo da poesia. Em 2013, entrei efectivamente no movimento Lev´arte, onde estou até hoje.

B.B - Sabemos que tem uma Indumenatária muito diferente de outros poetas, que é o uso do pano preto sempre que vai declamar, o quê que aquele pano preto representa para sí?
Z.R - O pano foi apenas a tipologia da Indumentária, e a cor preta biblicamente falando significa humildade e submissão. E no universo da arte e não só, temos que ter a capacidade de humildade. Humildade não é querer ser burro não, mas sim, é admitir que você não é perfeito e quer ocupar o seu espaço com dignidade. E asubmissão é admitir que na arte, não podes fazer por você porque o artista existe por causa do público. Se eu subir no palo e o público me atirar tomate, eu tenho que chegar em casa e reavaliar aquilo que faço, mas se o públuico me aplaudir tenho que realmente ter um comprimisso maior do que aquele que tenho com ele.

B.B - Onde é que busca inspiração para criar os seus poemas?
Z.R – Eu busco em tudo, ou seja, tudo que acompanho na sociedade me inspira, e eu procuro educar artisticamente esta inspiração.

BB - Há algum poeta de sua geração pelo qual tem uma certa admiração?
Z.R - No universo da poesia conteporânea, há muitos poetas que eu admiro e que também me motivão como António Paciência, Gabriel Rosa, Simbade, Kiocamba Cassua, o Poeta Tubarão, enfim, são muitos.

BB - Como é que olha para o estado actual da poesia feita no nosso país?
Z.R - Infelizmente, Hoje, nós padronizamos muito a poesia, e isso faz com que ela não seja adaptavel. A poesia hoje, se exclui de situações em que ela podia ser inserida. Por exemplo, se eu for declamar numa festa, vão dizer que não posso declamar ali, porque a poesia é para lugares classicos. Então isso faz com que a poesia se exclua. E a poesia cá, ainda não é consumida, se calhar é promovida, mas ainda não é consumida, e nós precisamos dar essa dimensão a poesia para que as pessoas despertem o gosto e vão atrás dela.

B.B - Meses atrás, foi convidado para declamar no Centro de Coferência de Belas, na presença de algumas entidades governamentais, como é que foi para sí participar daquele evento?
Z.R - Foi uma grande honra. Esteve na altura o vice-presidente actual da república, eu dediquei o poema a ele. As pessoas só me conhecem pelo poema "Há uma faca no pescoço do irmão”, mas em determinadas actividades eu tenho poemas direcionados, então foi uma grande experiência, aliás, já fui a outras actividades também, e as pessoas não sabem que eu já declamei na Assembleia Nacional, porque eu faço questão de publicitar pouco isso.

B.B - Já tem alguma obra literária no mercado?
Z.R - Ainda não tenho obra no mercado, mas estou a preparar o meu disco e infalivelmente sairá este ano.

B.B - Qual é o titulo do dicso?
Z.R - "Poesia na Casa” é o titulo do disco.

B.B - Também tem levado a poesia em outras localidades, além de Luanda?
Z.R - Sim, há tempos estive em Portugal, ia lá fazer uma fazer uma formação, mas alguém que conhece a minha arte aproveitou essa viagem para me fazer o convite e actuar lá. Tive duas actuações, que infelizmente não consegui promover. Por exemplo, às vezes quando as pessoas vão a actividade para filmar eu a declamar, elas se emocionam, e não conseguem filmar, nem tirar fotos, e quando termina a declamação só assim é que se lembram. Também já fui para o Huambo, Lunda Sul, e recebo convite para ir a Cabinda, Lubango e outras províncias.

B.B - Qual foi a recepção do público Português?
Z.R - Foi muito boa. Sendo a poesia algo contextual, eu adaptei a minha poesia a realidadde de Portugal, e as pessoas que lá estiveram, prestaram atenção as minha poesia e gostaram.




Por: Narciso Drake







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