MAMY SKILLS FALA DO SEU PROCESSO DE AFRICANIDADE NA SEXTA EDIÇÃO DOS DIÁLOGOS CULTURAIS



A rapper e apresentadora do programa radiofónico denominado "Beat Box", participou recentemente da sexta edição dos Diálogos Culturais, realizada no passado sábado, 26 de Maio, na Mediateca 28 de Agosto, pelo Projecto Ubuntu.

 Mamy Skills foi uma das artistas convidadas no grande encontro que reuniu jovens provenientes de vários pontos da cidade capital, que tiraram algumas horas do seu tempo para assistir a mais recente edição dos Diálogos Culturais. 

Além de ter participado do evento cantando, Mamy também contribui no desenvolvimento dos temas em abordagem, partilhando então, aquilo que foi a sua experiência enquanto cidadã angolana residente em Portugal.


A rapper contou sobre as dificuldades que passou na Diáspora por possuir um ton de pele escura e, do seu processo de africanidade, assumindo a sua real identidade como mulher negra naquele país europeu (Portugal).

 Durante a entrevista exclusiva ao blog "CisOn Rec", Mamy skills disse que achou espectacular a iniciativa criada pelo "Projecto Ubuntu" e que, sempre gostou de fazer parte de eventos do género, pois enaltecem as etnias e a cultura de África. 

Ao longo do seu discurso, Mamy referiu que nos dias de hoje, as mulheres estão a passar pelo mesmo processo que os homens, no que concerne a descoberta da verdadeira identidade pessoal e cultural, se desprendendo do padrão de beleza europeia adoptado por muitos africanos como consequência do colonialismo e a globalização.

 "A primeira vez que andei com o meu cabelo natural, sofri bastante. Perguntaram-me se eu não tinha dinheiro para desfrisa-lo, inclusive alguns homens queriam me oferecer dinheiro para comprar piruca, eu disse: eu nunca usei piruca, nem tissagem. Eu estou a utilizar este cabelo porque é meu, nasceu comigo. Então a mulher passa por tudo isso, em termos de visual e comportamento na sociedade", contou. 

A artista frisou ainda, que o Ubuntu é a valorização que se dá ao próximo independentemente da sua raça ou género. 

"A sociedade acredita que os homem são os únicos que mandam, mas hoje aprendemos que o Ubuntu não é isso, mas sim, a valorização da mulher tanto como do homem, então nós percebemos que há muitas coisas que são crenças erróneas e, que ainda por cima, nos causa atraso. Então esse Ubuntu bem aplicado, vamos perceber quem somos para poder chegar onde devemos", disse.

 UBUNTU é um projecto social baseado na filosofia ancestral e se enquadra na comunidade como politica de gestão comunitária em diversos aspectos. É entendido como uma politica humanizada virada aos objectivos colectivos da comunidade, o espírito de inter-ajuda, lealdade, unidade em prol do bem estar da comunidade.


Por: Narciso Drake

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